terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Dia.

O calçadão, a seu jeito, lindo. Mas já está em mudança.


Mais um dia. Porém um dia interessante. Mais tranquilo. Decidi realmente deixar parar. É fim de ano, as coisas, enfim, estão desacerelando (pelo menos por uns dias!).
Saio de casa. Vejo logo de cara a "plataforma do governo", seu "carro chefe" , as OBRAS. Uma cidade em obras!
Ainda assim tento não perder o mundo, a vida que se forma no calçadão.
Já repararam o quanto é interessante andar por ali? É claro que tem as pombas, elas não são a parte boa, mas dá pra correr atrás delas!
Mais adiante e me deparo com algo que, estranho, não sei há quanto tempo está lá. Uma cabine de telefone vermelha, ridícula. É traços tipicamente europeus, não caem muito bem entre as construções do calçadão, ainda que alguém, algum dia disse que sim. Veja-se o nome da cidade. Eu, no entanto, não concordo. Aqui tem sua história, nada forçado lhe cai bem.
Caminho um pouco mais, e me assusto com um homem pregando (gritando) as maravilhas de deus e de seu reino ("Parem de ver novela, vão à igreja..." Não sei qual das duas opções é mais alienante). Bem, continuo. Um estátua viva linda! E como tudo, em clima de natal, com uma coroa e um bebê em seu colo. E no fim da tarde ela ainda estava lá. Imóvel, digna...
Logo atrás, entre duas árvores, outro artista de rua. Um senhor de 65 anos, que não tem problema na coluna! Ele está amarrando uma corda entre as árvores, não consegui entender o que iria fazer depois. Enquanto isso, pessoas vão se aglomerando ao redor das duas atrações humanas.
Depois de muito sol chego ao meu destino. Pelo menos no fim do ano estou animada pra "arrumar a casa". Faço isso durante todo o período. E, justamente na hora de sair, a chuva de verão aparece. Finalmente estamos no verão. Tenho que ficar um tempo. A chuva está boa, porém venta muito. Assim que passa, saio.
Chego em casa, ninguém, sem vida... está tudo molhado. Janelas abertas, roupa no varal. Tinha esquecido desse detalhe. Limpo. Só...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

ESCREVO

Queria falar tanta coisa. Não sei porque não falo. Mas eu escrevo! Escrevo sempre. Escrevo de tudo.

É tão intrigante o modo como certas pessoas, como as pessoas mexem com a gente. Seria importante saber aproveitar mais essas interações. Todo contato, toda troca é extremamente rica. Eu nunca me preocupei com quem seria, com o que seria falado; as possibilidades, o que está por vir de um simples "oi" é tão encantador que muitas vezes me paraliza.

Acho até que por gostar tanto das aproximações é que elas se tornam tão difíceis pra mim. Pode parecer engraçado, mais essa dificuldade é um dos meus monstros. Talvez por isso, toda possibilidade de aproximação é tão gostosa, tão valorizada por mim.

Mesmo diante de tudo, de todos os medos e monstros que temos, o momento presente é extremamente intenso.

Tenho aprendido tanto, crescido tanto, conhecido tanto, cobrado tanto... tudo! É, esse realmente é um momento marcante. Espero saber disso sempre.

A cada dia, a cada conversa, principalmente, a cada sorriso, consigo respirar mais, ir mais longe, me construir e construir melhor, mais solta, mais eu.

Esse não poderia ser um melhor momento, a melhor pessoa. Tinha que ser agora. Tinha que ser uma experiência pra toda vida. A cada dia saio diferente.... a cada dia mudo.

Realmente tem sido importantíssimo, riquíssimo... e muito valorizado!

Muito, muito, muito obrigada pelo momento, pelas possibilidades, pelo interesse, pela disponibilidade... Ah, por me deixar... por "deixar rolar" e me fazer crecer!
A flor da imagem é uma espatódea, pras duas ruivas!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O recomeço.

O recomeço.
O recomeço da semana... não é sempre o mesmo. É sempre um recomeço.
Eu gosto de recomeços!
Novas expectativas. Novos caminhos (ou caminhos que antes não tínhamos dado conta de que existiam, de que estavam lá.). Mais dúvidas. As sempre presentes angústias!
Os recomeços são bons!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Talvez as questões que me angustiam eu consiga superar. Mais, pra falar a verdade, eu não queria... são elas, as angústias, que movimentam o mundo, quem movem as pessoas.
Fatos angustiantes, pessoas angustiantes, situações angustiantes. Elas, sim, são poderosíssimas!!
As pessoas, porém, são terrivelmente encantadas por coisas tão insuficientes que deixam passar o sentimento arrebatador que a angústia provoca. AH! Ela é quase que divina.
Um não sei quê de encanto, de divinal.

sábado, 13 de junho de 2009

fraqueza


Poderia falar tanta coisa; ver e sentir diferente. Mais ainda sou do tempo em que a gente marcava encontros reais com os amigos e matava a saudade pelo telefone, não por recadinhos na internet. Sou do tempo das trocas, em que a gente ouvia a voz das pessoas e sentia isso bater no fundo...
Ah, o tempo... esse tempo que tanto faz a gente correr, a gente se apressar; e faz com nos esqueçamos de viver. Estamos tão focados em nós mesmos, em nosso "umbiguismo" que não temos tempo de olhar pros lados, desapercebemos o que realmente faz com que nossa vida aconteça.
Tenho andado ansiosa, angustiada. Qual o sentido de toda essa individualidade; de toda essa despreocupação; desse não ver, desses não lugares?
Não nos sentimos pertencentes dessa grande roda, desse gira mundo. Isso dói.
A conformidade, a adequação... ah! Como lutar contra as doenças sociais, a não importância de nossa essência?
Pode-se sobreviver só por você mesmo?
Uma náusea me atinge. A náusea da indignação, da revolta... Mas é tão difícil. Tudo parece maior, mais forte do que isso.
Essa aparente impotência, por muitas vezes paralisa... não se sabe pra onde seguir.
O que fazer contra essa montanha que nos derruba todos os dias? Segui-la? Estagnar-se? Correr de encontro a ela e tentar impedi-la?
O tempo presente, as coisas presentes se apresentam tão vãs...
Esses devaneios loucos serão capazes de algo maior do que serem apenas essas palavras escritas?
Essas palavras mortas terão a mesma força que sai impetuosamente dessas mãos? Terão o peso da roda, da vida que acontece?
Provavelmente não, porém essa pretensão continuará latente, e ecoará, mesmo que em silêncio, ao menos em mim...


Imagem de Gustave Klimt, apresentado a mim pela Ana Laura,
e que de cara me encantei por suas obras!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Queria bem mais... andar na rua e não ver, mais.
Queria ser bem mais, queria ser melhor.
Queria ser um ser inanimado e não sentir, e não ver, e não me indignar!

domingo, 10 de maio de 2009

Divagação


Um pensamento recorrente tem me visitado todos os dias ultimamente. E sabe quando isso começa a incomodar?
Acho que a minha insegurança já está indo além do que considero suportável. Não dá mais, não quero mais isso! Muitas coisas que poderiam ter acontecido, não aconteceram. Nem sequer chegaram perto disso.
Tenho andado inconstante, indecisa, em mudança mais do que nunca (mesmo que não pareça, tudo está em constante movimento, e isso tem aparecido com mais intesidade pra mim).
Tenho andado revoltada, revoltante. O que se pode dizer de alguém que não sabe o que é? QUEM VOCÊ É???
Os discursos estão me ferindo mais do que imaginava. Cada palavra dita tem me soado um grito, um tapa na cara.
A mulher em mim tem crescido. Tem estremecido.
O que é tudo isso senão um ponto forte, digno de respeito e de observância. As mudanças, as discussões, os embates, são enriquecedores, são bons. Sempre bons!
Pode-se não perceber de momento, contudo sempre se sai mais forte, mais segura.
Aaaaah, esses devaneios loucos que se apresentam de tempos em tempos em nossas vidas, em nossas mentes. Eles nos são necessários? Rever conceito. Divagar.
Tou fazendo isso.
Porque tenho que me encaixar nos padrões? Vestir rosa, saia. Ser delicada, ser feminina. Não ter raiva. Gostar "do que é de mulher". Agir como "uma mulher deve agir". Sou necessáriamente essa que dizem que sou? Sou o que veêm que sou? Ora, encaixar os seres nessa forma pré-concebida, além de mais fácil, torna tudo igual, padronizado, repetido.
Eu não sou nada disso. Eu sou a Ciça, e ponto.

domingo, 26 de abril de 2009

...

I'm ok.

Não sei... não sei. Tá complicado aqui dentro. Tá dificil. Não consigo sair.
Pode ser... não sei. O que acontece?
Me ajuda? Quero colo.
Quero sair daqui. Quero me desprender.
Estamos todos sós?
Estamos bem!
Não quero ver além. Não posso mais!!!!
Já não me suporto, já não caibo aqui.
Mais ainda estou aqui, acho. Ainda vou além.
Essas coisas ainda farão crescer as vontades de mudança. Os tremores diante das injustiças.
Mais agora, só agora, só por um tempo. Não aguento. Não consigo.
Agora sou só eu lutando comigo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Cidadezinha

Um lugarzinho bucólico, que já não me faz falta. Mas quem está lá me faz.
Um lurgazinho tímido, pequeno, desesperado. E, talvez por isso mesmo, suas contradições latentes me sejam mais aparentes agora.

Não é tudo calmo, muito menos feliz. Não é "tudo bem".

É... um desses lugarezinhos que fazem ver o quanto somos pequenos, por outro lado, o quanto nos tornamos gigantes frente a questão que agora me aparece mais forte, mais viva, mais avassaladora.

Um desses lugarezinhos capazes de nos provocar tantas emoções, tantos sentimentos que se chocam, que se contradizem.

Um desses lugarezinhos imóveis, parados no tempo, quase que uma visão do que foi outrora. Uma lembrança terrível de um passado colorido.

Um lugarzinho que traz a nostalgia de tempos idos de inocência e aceitação. De tempos de desconhecimento que o tornavam o ponto mais seguro e lindo e amado do mundo. Que fazia parecer que nada mais existia além dele. Que lá as coisas sempre "iam bem", pelo fato mesmo de nunca mudarem. Nem melhor, nem pior. Apenas igual, medíocre.

Um lugarzinho ideal, cultivado de amigos, discos, livros. E que as lembranças forçosamente teimam em relembrar a sua importancia e seu tamanho na memória, na história.

Talvez seja necessariamente, não tão devastador, mas, com certeza, perturbador.

Não dá pra esquecer um desses lugarezinhos com lembranças lúdicas de um tempo lindo, inocente, amorosamente ideal, e que, talvez, eu preferisse que nunca tivesse passado.

Um desses lugarezinhos são pra sempre.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A realização!! (????)

A temporada está aberta, vamos às compras, companheiros!
Vocês viram? Tem passado todo dia, naquelas propagandas de 30 segundos (as mais legais que já vi!) um celular de última geração, que até anda por mim. Eu quero!
Tem aquela outra tbm, com a bonequinha que pensa por mim. Isso sim eu preciso!
Tem também aquele aparelho que me diz se estou certa ou não em um relacionamento. Aah, mais esse eu já tenho, nunca invisto numa relação que ele diz que não me é útil.
Aah, essa tecnologia de hoje em dia, tá nas mãos de quem deveria estar mesmo, imagina se fosse acessível pra todo mundo, seria um caos. Esse pessoal bacana, das multinacionais, definitivamente, sabem nos governar. Eu gosto disso! Só falta agora inventarem um cérebro humano artificial, sabe? Um desses seria ótimo, as idéias ruins a gente não ia colocar nele não, só as idéias e opiniões que todo mundo tem. Isso sim seria um grande avanço. Pensa só, todo mundo falando as mesmas coisas, todo mundo se vestindo igual, todo mundo com os mesmos gostos! Que lindo! Não teríamos mais esses problemas com os “subversivos”, essas pessoas são um estorvo na nossa sociedade!
Vamos um pouco mais pro futuro. Agora estamos num mundo igualzinho, passivo e colorido. As pessoas saem da loja com suas sacolinhas ecologicamente corretas, só que tá um pouco difícil a circulação nas ruas, tem mais lixo do que gente. Mais a reciclagem, por outro lado, virou moda. A cada metro que eu ando, esbarro numa coisa reciclada. Olha só como nosso planeta evoluiu! As pessoas estão mais conscientes.
Sabe, estou tão deslumbrada com esse admirável mundo novo. Não passo um dia sem comprar alguma coisa. E tenho trocado de modelo de celular a cada quinze dias. E olha, não vejo mais pobreza não. Essa galera que mente ruim, que não gosta de trabalhar tá tudo lá reciclando o lixo que a gente produz aqui. Viu só, como a reciclagem, como a nossa conscientização ambiental também ajudou essa galera. Agora eles têm uma fonte de renda, e podem comprar suas coisinhas, podem ficar que nem a gente... um dia.
E como a mídia está maravilhosa. Vô te conta, hein! Esse pessoal que produz os comercias tá cada vez mais porreta! Esses dias, tava vendo uma chamada de um tênis de neon, eles já existem há muito tempo, mais sabe que deu vontade de comprar mais de um. Eu vi, naquela propaganda, que ele é essencial pra vida, não dá pra ter só um.
É uma pena que com tanto trabalho eu não tenha tempo de usufruir mais das maravilhas de ir as compras! Dia desses pensei em ir ao Rio de Janeiro, curtir um shopping (que tá agora no lugar em que antes era a praia de Copacabana, tiraram a areia, o mar ta embaixo do piso do shopping, esse tipo de diversão, de encontro não tava mais dando lucro), mais não tive tempo. Quem sabe, eu dando duro, daqui há uns 3 anos eu consiga dar um role por lá, e de quebra, enfim, eu compre o meu sonho de consumo, um computador, revestido com madeira reflorestada, lá da reserva do Amazonas, que agora já tem mais de 10 alqueires!
Geeenteeeee, eu não acredito que ainda não falei. Bati o meu Record de amigos, tenho mais de 20 mil no Orkut!!! Aaah, e por falar nisso, ele tá tão lindo. Tem eu com a minha mãe, eu nas festas, eu comprando, eu ajudando a pegar um lixo da rua e levar pra reciclagem, eu toda bonita, eu eu eu eu! Sempre linda e feliz, com um monte de amigos!!! Tou tão feliz, sempre marcamos encontro “on-line”, é tão gostoso ver minha vizinha na webcam, a gente sempre troca umas receitas. Esses dias ela me passou uma tão boa, liguei na hora pro McDonalds e mandei me trazerem uma delícia daquelas. Papear com os meus amigos da universidade é sempre tão bom, pq quando estamos na aula (sempre por vídeo conferência), fica difícil botar o papo em dia. Mas sempre que sobra um tempinho marcamos nosso encontro virtual e nos embriagamos na rede falando bobagens e contando nosso dia na vida virtual. Por falar nisso quase nunca saio de casa, se não for pra compra umas coisinhas. Não preciso mais. Tudo o que eu quero tá na minha mão, nem preciso levantar da cama. Trabalho e estudo em casa, e até dá pra conversar com a galera, como já disse. As notícias me vem pelo computador também, pela TV da internet, que todo mundo vê!
E faço cada coisa com meus namorados virtuais, que... aaai... UHUUUULL. E o bom é que dá pra ter vários, e ninguém fica com ciúmes. Estranho, diferente são os relacionamentos cara a cara, tanto com amigos quando com namorados... isso é tão “over”.
Fala sério, hein. Tão com inveja da minha vida, né? Mais é pra ficar meeeeesmooooo!!! Eu tenho tudo, trabalho de manhã, a tarde e noite, faço uns bicos no fim de semana, penso como todo mundo pensa, falo o que todo mundo quer ouvir, visto o que todo mundo veste, tenho as mesmas opiniões que todo mundo, minha casa é igual as outras, minha família é uma “família padrão”, sempre preciso de alguma coisa que ontem nem sabia que existia, sempre compro algo que a TV fala que todo mundo tem (porque se passa na TV é pq todo mundo tem, então eu tenho que ter tbm)... aah, eu sou tão feliz!